Há proprietários que deixam de abrir o idealista com entusiasmo.
Passam a abri-lo quase por obrigação.
No início, é diferente. Há expectativa.
As fotografias parecem certas. O anúncio finalmente está online. As primeiras visitas aparecem.
E durante alguns dias, parece que a venda pode acontecer a qualquer momento.
Depois o tempo passa.
E o silêncio começa a pesar.
Menos mensagens.
Menos chamadas.
Menos visitas.
Até que chega uma altura em que o anúncio deixa de transmitir oportunidade.
Começa a transmitir tempo.
Tempo no mercado.
Tempo sem propostas.
Tempo sem decisão.
E isso altera a forma como as pessoas entram numa visita.
Entram com mais dúvidas e com menos pressa.
Com a sensação de que, se ninguém avançou até agora, provavelmente existe um motivo.
Mas a parte mais pesada raramente aparece no anúncio.
Aparece no proprietário.
Nas conversas que começa a evitar.
Nas perguntas que já cansam. No desconforto de ouvir:
“Então… ainda nada?”
“Já baixaram o preço?”
“O mercado está assim tão difícil?”
Há um momento em que algumas pessoas deixam de falar da venda com naturalidade.
E sem perceberem bem quando aconteceu… começam também a afastar-se emocionalmente da própria casa.
Porque uma venda que se arrasta demasiado tempo começa a entrar em tudo o resto.
Nos planos.
Nas decisões.
Na energia.
E às vezes a mudança começa no momento em que o proprietário deixa de tentar resolver tudo sozinho.
Joaquim Mota
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